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O que as telas não mostram sobre o seu patrimônio

  • Foto do escritor: anaportes.borges
    anaportes.borges
  • 10 de jan.
  • 3 min de leitura

Decisões de milhões com reflexões de centavos

Decisões patrimoniais de milhões costumam falhar por um motivo silencioso: a pergunta inicial é pequena demais.

Gasta-se muito tempo avaliando onde rende mais e quase nenhum tempo entendendo para quê. Discute-se o meio antes de definir o destino.

O problema é que decisões grandes raramente sobrevivem a perguntas pequenas.

Se você está começando agora ou se já possui uma carteira robusta, o ruído é o mesmo: gráficos, taxas e uma enxurrada de informações diárias.

Mas, enquanto o mundo digital acelera, uma verdade física permanece:

"as pessoas sempre precisarão ocupar espaços."

Podem mudar os formatos, a arquitetura e os preços. Mas a demanda por solo > para morar, trabalhar, proteger e existir > é uma das poucas constantes da história humana.

O imóvel não é apenas um número em uma tela; é o chão onde a economia acontece.


O patrimônio como bagagem

Construir patrimônio é, em última análise, uma escolha de bagagem. O erro de muitos investidores é carregar malas grandes demais para trajetos curtos, ou malas sofisticadas que não servem para o terreno que estão pisando.

Pior ainda: manter malas pesadas guardadas no porão, sem uso, enquanto pagam o preço da manutenção e da liquidez perdida.

O problema raramente está no ativo em si.

Está na incoerência:

  • Do jovem que imobiliza capital antes dos 40 e descobre que a melhor década para arriscar ficou no passado.

  • Do herdeiro que mantém o imóvel vazio enquanto drena caixa com condomínio, IPTU e manutenção.

  • Do ansioso que compra ou vende movido pela opinião do cunhado ou pela manchete da semana > sem critério autêntico.

  • Do cético que evita imóveis há anos porque "não rende" e deixa o patrimônio à mercê de qualquer instabilidade política ou surpresa do mercado financeiro.

"O erro mais comum não está na escolha do ativo, mas na ausência de critério próprio."

Quando a decisão não nasce de uma leitura coerente do mercado combinada com o seu momento real de vida, ela nasce por osmose: absorvendo opiniões e ciclos que pertencem a outros.

O resultado?

Um desalinhamento entre o meio (imóvel) e o fim (sua vida).


O mito do rendimento isolado

A obsessão pelo rendimento imediato é a armadilha do amador.

Mas ignorar o rendimento por medo ou preconceito é a armadilha do teórico.

A verdade está nos detalhes. Veja este exemplo real:

O apartamento onde moro hoje, no litoral de SC, valorizou 260% em 6 anos. No mesmo período, um imóvel de tamanho equivalente em outra cidade, com padrão construtivo superior, valorizou apenas 40%.

A diferença não foi sorte. Foi a convergência de quatro variáveis: um vetor de crescimento claro, demanda reprimida, terrenos baratos na época da compra e a urgência do vendedor.

Remova uma dessas variáveis e o resultado seria comum.

É isso que quase ninguém entende: os ciclos não são lineares. São ciclos dentro de ciclos.
  • Você pode estar no timing certo do país errado.

  • Ou na cidade certa do bairro errado.

  • Ou no bairro certo do empreendimento errado.

O imóvel não é o jogo do curto prazo (a menos que você seja o construtor e esteja lendo bem o mercado). Para todos os outros, ele entrega o que a liquidez imediata não consegue: direção e estrutura. 

Mas isso só acontece quando você lê o mapa completo, não apenas um indicador isolado.


O papel do imóvel no "agora"

Vivemos um momento de saturação. Reforma tributária, taxas oscilantes e um mar de palpites. O ruído nunca foi tão alto.

Com as mudanças na tributação de dividendos e alugueis, o debate finalmente sai do "onde pago menos imposto" e volta para onde sempre deveria estar: qual ativo cumpre a função que eu preciso nesse momento da minha vida?.

Tratar o imóvel apenas como um número frio ignora sua utilidade. Tratá-lo apenas como um "sonho" ignora sua inteligência financeira.

Ele resolve problemas reais: dá operação a um negócio, moradia a uma família e estrutura a uma cidade.

Toda decisão patrimonial cobra um preço.

O maior risco é pagar esse preço sem entender o que você está agregando à sua bagagem — ou o que está deixando de ganhar por medo de se movimentar.


Agora, me conta: o que pesa mais hoje na sua conta? O risco de se movimentar sem um sentido claro ou o custo de ficar exatamente onde está?

6 comentários


Joao Lucas Alves batista
Joao Lucas Alves batista
há 2 dias

Texto excelente e muito provocativo. Gostei especialmente da ideia de que o imóvel não pode ser tratado nem como “número frio”, nem apenas como “sonho”, mas como um ativo que precisa cumprir uma função real no momento de vida de cada pessoa.


Hoje, o velho “quem compra terra não erra” já não se sustenta sozinho: sem estratégia, critério e alinhamento com o perfil do investidor, o risco é transformar patrimônio em peso. O texto acerta ao levantar essas reflexões e deixa a provocação final certa: investir sem um sentido claro pode custar mais caro do que simplesmente não se mover.

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Camila Portes
Camila Portes
12 de jan.

Texto extremamente lúcido e necessário Ana. Em vários momentos da leitura, me vi concordando com a ideia de que o erro raramente está no ativo e quase sempre na ausência de critério próprio, como em qualquer investimento!

Ao mesmo tempo, confesso que terminei com uma sensação clara: vontade de avançar, mas sem ainda saber exatamente como traduzir essas reflexões em decisão.

Fiquei com a impressão de que um direcionamento prático talvez um questionário, um framework ou algumas perguntas como guia ajudaria me ajudaria muito alinhar o “meio” (o imóvel) com o “fim” (o momento real de vida).

O texto desperta consciência, principalmente diante do atual cenário.

Parabéns pela clareza e pela profundidade da análise.😉

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Maria Luiza Nunes Caritá
Maria Luiza Nunes Caritá
11 de jan.

Importante o "alerta" sobre analisarmos as questões econômicas e, também, as pessoais / emocionais na tomada das decisões de grande impacto nas nossas vidas!! Já que, é muito comum, deixarmos a definição ser feita somente por um desses fatores. Obrigada, Ana!

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Lucimara Borges Trindade
Lucimara Borges Trindade
11 de jan.

Muito boa explanação, um olhar amplo !!!! focado no momento de vida de cada um, parabéns !!! Estratégia tem que estar diretamente ligada ao objetivo, se não sabe onde quer chegar qualquer caminho serve e em se tratando de investimento de um modo geral, pode ser a decisão que ira determinar se o objetivo será atingido ou não.

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Adriana Hilleshein
Adriana Hilleshein
10 de jan.

ótima reflexão Ana. Em meio a tanta instabilidade econômica e política, conquistar um imóvel exige um esforço enorme, planejamento e, muitas vezes, renúncias. Nem sempre o que aparece nas telas reflete o caminho longo e difícil por trás de cada patrimônio construído.

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Ana Portes Borges
Ana Portes Borges
10 de jan.
Respondendo a

Verdade Adriana, é uma decisão que tomamos poucas vezes na vida, não deveria ser banalizada!

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